DESISTIR É DAR RAZÃO AO CAMINHO MAIS LONGO PARA A FELICIDADE. (sf)

29/04/2010

Há necessidades...

A todos que me acompanham neste Blogue, vos agradeço as palavras que me deixam e o quanto se dedicam a ler-me, no que é, a minha experiência de vida, partilhada com a doença.

Não se sintam abandonados e todos que me escrevem por mail, continuem a contar comigo. Agora, por este meio, O Blogue... fico por aqui e me despeço.
Era o único Blogue que não queria terminar, mas aqui deixo, tal como fiz nos outros, o ponto final. Deixei de ter motivação para o Bloguismo.

ACREDITEM em vocês.

13/04/2010

Custa...

É certo que quem quer navegar no mundo da Internet, tem de se sujeitar a situações boas e outras menos boas.
Eu sempre usei a Net por motivos profissionais, bem como, motivos escolares e de lazer, como por exemplo, os Blogues que tenho e onde partilho o meu "Eu".
Nas situações menos boas, há os de várias espécies, aquelas que nos desligamos logo à primeira e acabou, foi um completo "engano" que nem dá para lembrar e, há outras, essas sim, que doem pois castigam-nos com a falsidade que, no meu caso, doente Bipolar, me perturbou bastante e me deixa, ainda hoje, recordando e fazendo um esforço enorme para esquecer. Refiro-me a pessoas com quem durante muito tempo conversei mas, que a partir de uma certa altura, motivado pela doença e que requer, não direi silêncio mas, um certo afastamento para atingir o equilíbrio mental, insistiam no contacto comigo de todas as formas. Fico espantado como recorrem a métodos que para mim e, mesmo considerando aqueles que só usam a Net para causar "distúrbios", conseguem descer ao mais baixo da falsidade enganando aqueles ("Eu") que apenas precisam de uma pausa para recuperar. Imaginem que há pessoas, umas que me eram muito queridas, outras que eram o princípio, julgava eu, de novas amizades, que são capazes, estando eu ausente e sem falar com elas, (a tal necessária pausa) de construirem novos mail´s, novos endereços de chat's, com a perspicácia de, com outros nomes, conseguirem, assim, contactarem-me, começando por visitarem os meus blogues que, julgando eu serem visitantes novos, respondia, como sempre faço, quando são novos, a agradecer a visita. Sempre as considerarei como pessoas de mal fazer e, que se aproveitam da enorme sensibilidade e doença, de quem sofre, neste caso eu, com as perturbações que, situações como estas, acarretam. Não minto quando digo que houve alturas em que e, pelo menos uma vez, quase tive de recorrer à urgência do hospital, sector de psiquiatria mas, consegui cair em mim e, a muito custo, equilíbrar o meu sistema nervoso. De que maneira, perguntam? Apenas com um ponto final.
Não nego que possa ter contribuido para que determinadas pessoas podessem, também, ter razões de queixa quanto a mim mas, estou seguro e de consciência tranquila que sempre fui e sou, verdadeiro no que respeita à minha postura.
Algumas vezes fui abaixo e senti necessidade de compactuar com essa dita falsidade mas, apenas teve como objectivo, o conseguir tirar qualquer dúvida quanto à minha desconfiança.
Hoje, sinto que não pequei, que tudo se confirmou e que, apesar de ter experimentado situações que até hoje me eram estranhas, apesar de algumas dessas pessoas terem tentado restabelecer a relação e, prometendo, nunca mais se repetir, eu não sou capaz de retomar porque, honestamente, nunca mais iria ser a mesma coisa e eu nunca mais sentiria nada por essas pessoas que, apenas me limito a respeitar e, longe de qualquer rancor.
Passei por situações com algumas dessas pessoas, que inventaram outros nomes, outros endereços, outras conversas e, momentos que não pensava poderem existir, que me perturbaram bastante, ao ponto de eu próprio sentir que não estava a ser "eu", embora nunca tenha alterado o que quer que fosse, de nome ou endereços mas, estava a "participar". A melhor opção foi mesmo o terminar e, colocando definitivamente um ponto final, para meu bem e para bem e respeito pelos outros e por mim. Estava a ficar ausente de mim.
Nunca imaginei que este tipo de "esquema" pudesse existir e eu me sentir cumplice da continuidade de alimentar o mesmo. Cheguei a viver experiências que não fazem parte de mim e, por isso, vir a pagar por elas, ficando com a minha consciência debilitada, "apagada".
Hoje, continuo na Net mas, com as necessárias reservas, o que não havia necessidade disso.
Fui considerado "muita coisa" e com razão, umas, outras não pois, como disse, compactuei com as situações mas, tive de pôr fim ao que andava a alterar, perigosamente, a minha saúde, o meu equilíbrio e, em risco, o voltar a fazer o que gosto... escrever e partilhar, continuando a mostrar a minha seriedade e respeito, no que faço.
Meus caros Amigos Bipolares,
Estes episódios são autênticos "medicamentos" com graves efeitos secundários para nós. Contudo, não confundam estes casos, que expressei, com o daqueles cibernautas que usam, por opção, um nome fictício mas que o mantêm, sem alterações, até ao dia, por exemplo, em que se proporciona um encontro de companheirismo entre todos (um jantar, um almoço...etc) e aí sim, se apresentam revelando o seu verdadeiro nome. É DIFERENTE.
Creio que me fiz entender e, principalmente, no quanto é prejudicial para nós, Bipolares, vivermos situações destas que nos atacam, fácilmente, a nossa postura, sensibilidade, levando-nos ao desiquilíbrio. Eu tive essa experiência e só vos peço... CUIDADO, o suficiente para se manterem estáveis, fazendo o que gostam, sem deixarem de ser quem são.
até

01/04/2010

quem sou, afinal...?

Bem,
Cá estou eu.

São muitas as vezes ou talvez, melhor dizendo, constantemente, que me confronto com as situações de quando começo uma coisa, que me dá prazer e refiro-me à escrita, começo com todo o fervor e inspiração mas, passa um dia, dois, três (uma maneira de dizer) e começo a ficar parado pensando numa outra que gostava de fazer. Ou seja, tenho muitas ideias, muitas coisas que, enquanto não começo desespero e, lá se dá por terminado o que fazia dando lugar a outra.

Claro que esta atitude não posso dizer que seja "normal" e penso, quando a isso me dedico, o porquê destes episódios frequentes. Tem de haver uma razão e há. Chama-se AUTO-ESTIMA e porquê?

Tão simples e a explicação é esta:

Tenho vários blogues (6) e cada um deles com temáticas diferentes. Contudo, tudo começa muito bem mas, chega a uma altura e envolvo-me a pensar e a perder o interesse, não do que escrevo mas, do blogue e porque já penso em outro.

O que escrevo não se trata de uma invenção, são palavras e sentimentos que saiem do meu "Eu" do meu interior, sentidas e, como nada tenho a esconder, gosto de partilhar com os que se dedicam ao mundo dos blogues. Agora, porquê estas "variações"?

Conforme disse, pela enorme falta de Auto-Estima, agora, porque razão faço este diagnóstico? Simples, porque chega a uma altura e eu próprio começo a ficar com dúvidas se o que escrevo terá algum nexo, algum "valor", suficiente, para conquistar outros bloguistas para leitura.

Visito os blogues de outros Amigos e faço comparação entre a sua escrita e a minha. Comento com a minha seriedade, a interpretação que faço e dou-lhes o maior valor, sendo que, o resultado é a minha "inferioridade". Chego a considerar ser uma "aberração" o publicar e, vou de seguida ao meu blogue e ocorre-me a vontade de eliminar o que escrevi.

Várias vezes aconteceu. Escrevia, publicava e eliminava. Colocava-me no lugar de um bloguista visitante e lia mas, lia e não gostava. Aos poucos os blogues que criei foram ficando pelo caminho e escrevia, como texto final, "o terminar do blogue".

Os meus blogues sempre tiveram comentários abertos e sempre tive amigos bloguistas que me visitavam e deixavam os seus comentários simpáticos ou melhor, sentidos, pelo que leram. Nem isso fez com que eu pusesse para trás das costas a ideia de eliminar o blogue. Estava pensado e havia que partir para outro.

Reconheço que houve, pelo menos, um blogue, que não mantive e, onde comecei a escrever uma história em tom de ficção, como que se um livro eu estivesse a escrever. Os comentários eram interessantes e até deixavam no ar, a expectativa de ler o próximo capítulo mas, acabou. Não fui capaz de continuar. Tinha outro pensamento e qual? Nem mais, o de que os amigos bloguistas apenas estavam a ser simpáticos comigo, expressando bonitos comentários à história e eu, só pensava, negativamente, e recusava pensar que o que escrevia pudesse ter algum interesse para alguém.

Meus caros, não perdi, ainda, este enorme defeito mas, tenho dedicado uma enorme luta para não lhe prestar atenção e, tenho continuado a escrever, a publicar, num novo blogue e a aprender a gostar de mim próprio e a apaixonar-me pelo que faço. Publico porque é meu, é sentido, nada me impede de publicar, partilhar e, convenco-me, que em tudo que se faça há quem nasça para tal e outros não, logo, só posso acreditar que "Eu" gosto, gosto e sinto-me bem. Dá-me prazer em ler o que escrevo e como eu, outros amigos bloguistas poderão gostar ou não. Afinal, não somos "obrigados" a gostar de tudo com que somos confrontados mas sim, com o que nos diz algo, no que mexe connosco e nos dá prazer.

Meus caros, tenho conseguido e sinto-me muito bem, ao ponto de, e penso que já o disse, de eu próprio estar apaixonado com o que estou a fazer.

Pois bem, aqui fica o grande desafio que temos para combater, a tormentosa falta de Auto Estima. Eu encontrei a maneira de o fazer e resume-se, apenas, a uma opção bem simples... ACREDITAR EM MIM e se gosto do que faço, do que escrevo, só isso conta depois, depois é o aceitar as opiniões dos Amigos bloguistas, sejam elas boas ou más. Nada tem o mesmo significado para todos. O importante é ser sentido, vivido por mim.

Como nota, digo, que é meu desejo retomar a escrita, a ficção, a história que desisti de escrever mas, conjugando o tempo para não desistir do blogue actual.

Meus caros,

Hoje dediquei-me a um mal, entre vários, que ataca muitos de nós, Bipolares. Tirem as vossas conclusões.

ACREDITAR E GOSTAR DE NÓS PRÓPRIOS, nas nossas CAPACIDADES e não dependermos de opiniões mas sim, saber aceitá-las. Seja na escrita, ao que me refiro hoje e comigo próprio mas, também, em muitas outras coisas e, acima de tudo, quando começamos algo... que seja para levar até ao fim, sem que se misture com outras ideias e muitos "quereres", ao mesmo tempo. Não resulta, não faz sentido.

É evidente que temos de ser conscientes e não por em risco a nossa postura que revela o respeito pelos outros mas, tenhamos, também, respeito por nós e, sejamos "nós".

Ahh... neste momento tenho três blogues, há já algum tempo, um deles é este. Já duram e quero manter, sem outras ideias.

Não esqueçam, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, não resulta.

Não termos respeito por nós e dependermos dos outros para nos avaliarmos, é errado e frustrante. Há que valorizar a nossa AUTO-ESTIMA, ACREDITAR. Só a nós compete avaliar-mo-nos.

Estas situações, não são só aos Bipolares que acontecem mas, não tenham dúvidas que nós Bipolares, somos bem mais atacados devido à nossa "forçada" sensibilidade.

até

17/02/2010

Foi mas...já não é.

Estamos na fase em que o final do Ano que passou, nos revela os momentos onde a alegria, a reunião com amigos e familiares, o ambiente festivo, despertaram um "viver em alienação sem limites de pensamento" e tudo valia para um estar numa harmonia "enganadora" mas, prazerosa. O tempo esgotou esses dias e o Ano entra na rotina, como muitos outros já passaram. É agora que se começa, para todos em geral, a fazer o reconhecimento das consequências, positivas e negativas. Para uns, a felicidade em crescendo mas, para outros, os excessos fizeram danos e começam as preocupações.

Muito bem mas, perguntam vocês, o que tem isto a ver com a doença Bipolar?

Tem, tem tudo. Tudo a ver com fases que se estão a atravessar, menos boas e, resultado da dita alienação de pensamento.

Não sou excepção e tudo vem a "lume" na nossa mente que, perturbada, é um amontoado de, "puxa...porque não pensei antes de fazer"?

É certo que a época era convidativa mas, os pensamentos, as indecisões, as decisões, requeriam cuidados. Na verdade, o que agora há a fazer é o admitir que o que está feito está e nada pode voltar atrás mas, é neste momento que nós, Bipolares, temos de saber usar os nossos conhecimentos, a que estamos habituados, e lidar com as negatividades da doença, recuperando o acalmar da mente, não nos criticarmos mas sim, ver o presente como um bem ao qual chegámos sendo que, há um muito que "rever" e amenizar.

Todos sabemos que se fizeram gastos que não estavam na nossa capacidade. Todos sabemos que nos excedemos em folias que desrespeitaram a nossa concentração, que foram dias de horas exageradas, noites perdidas, bebidas que se tomaram, atitudes e postura menos próprias, faltas de humor, dias terriveis de mau-estar e, fundamentalmente, entre muitas outras situações, as negligenciadas falhas de medicamentos ou, desorganizadamente, tomados.

Meus caros, não quer dizer que tenha passado por todas estas experiências mas, não nego que vivi algumas delas e algumas outras, não mencionadas, pois se enumerar todas as que estamos sujeitos, teriamos um livro aqui publicado. Não esqueçam, todos somos diferentes e nada é igual para ninguém, nem mesmo para os que não são portadores da doença. Agora, uma coisa é certa,

estamos na altura ideal de reflectir e assumirmos o pedir ajuda. São os médicos e todos quantos connosco convivem e entendem as nossas fases menos boas. Não podemos valorizar a Rejeição e desperdiçar a disponibilidade Amiga.

Há que explicar que o pedir ajuda, não é o querer dizer "que se dane, não correu bem, alguém me vai safar". Errado. O que se pretende é assumirmos a obrigação de arranjar estratégias de solução e, aceitarmos a opinião dos que nos ofereçem confiança e nos conhecem, assim como, o não entrar, novamente, em negligência, nesta situação e nos escusarmos à visita aos nossos médicos. Digo-vos que já fui. Tive essa necessidade e não a neguei. Fiz para poder retomar um equilibrio mental que me ajude a chegar ao meu bem-estar, afinal, nunca se sabe quando haverá necessidade de rever as dosagens dos medicamentos.

Reafirmo, foram muitos dias em que andei numa fase onde a falta de humor e a arrogância para com os outros, era assustadora. Felizmente que há quem resista e me faça entender que estive, notem: estive, numa fase que quase pensei ter de recorrer a um internamento mas...fez-se luz. Tive esse alguém que, sabendo da doença, acreditou que eu era capaz de ultrapassar e convenceu-me.
Na verdade custou, custou de tal forma que voltei a ter medos e quase a isolar-me e a viver apenas com a entrega à doença. Mas, os dias não são iguais e, houve um que estava destinado a ser o meu e a dar-me a força de pensar, reflectir e atirar-me para aquilo que sou e não o que não sou.
Foi duro, mas finalmente consegui pensar que era capaz como outras vezes fui capaz. Demorou alguns dias, comecei a voltar a algumas rotinas e a "renascer" aos poucos. O bom-humor voltou a sentir-se e que o digam os Amigos e, a quase "nula" família que tenho e que se preocupa comigo. Este será sempre o meu desgosto. Embora, respeite as suas opções.
Estou aqui e a luz que vejo é brilho, verdadeira e gostosa. O passado é recordado e, o que era para resolver, já está.
Grito vitória, vitória porque, novamente, sinto a necessidade de continuar a fazer o que gosto e,
porque consegui, sem ter de recorrer a internamentos ou, a alterações de medicamentos, a minha médica não viu essa necessidade.
Acreditem, é uma sensação horrível quando recordo o martírio porque passei mas, é tão bom mostrar a quem comigo convive, a volta que consegui dar, a muito custo, para estar com a alegria que hoje vive comigo. Volto a sentir o prazer de estar, embora que sózinho, no meu cantinho, na minha casa e com o prazer, por exemplo, de aqui estar a partilhar, convosco, o que "foi" mas passou ao "agora".
O agora, é estar bem comigo, com os outros e agradecer cada dia que vivo.
até

(não esqueçam, ACREDITAR... vocês são capazes)

06/01/2010

sejam atentos...

A todos desejo um Bom Ano de 2010.
Caríssimos,
Saber reconhecer a doença é, como sempre disse, fundamental para nós, portadores, para que tudo se torne mais simples. Mas, não é só o reconhecer a doença. Há muitas outras situações que, também têm de merecer o nosso cuidado e reconhecimento, não menos importantes. Uma delas, é o termos a capacidade, suficiente, para sabermos agir, com base na verdade e não no que, por vezes, em estado de instabilidade da mente, nos tira a força do pensar e nos faz entrar numa postura de querermos a razão, apenas e só, do nosso lado sem dar-mos importância ao outro.
Fui casado duas vezes e qualquer um deles não resultou. Sou daqueles que, por muita razão que possa ter, intendo que, um casamento falhado, é culpa de ambas as partes, salvo raras excepções.
Confesso que o insucesso de um dos meus casamentos foi de minha inteira responsabilidade. Estraguei completamente e, já com um filho, aquilo que mais se preza na vida que é a alegria de ter um lar e uma família.
Eu não posso servir de exemplo para ninguém porque, posso divagar nas palavras, palavras bonitas e dar conselhos mas, também alimento, por vezes, a força de que só eu tenho razão e, acabo por realizar as coisas à minha maneira, prejudicando os outros que convivem comigo, os "AMIGOS". "Esqueço-me" do quanto sofrem comigo e com os meus problemas e, mesmo assim, tentam AJUDAR-ME a que, pelo menos, recupere a minha estabilidade do pensar mas... DESISTEM, porque nós somos mais fortes (???). E agora...?
Agora, abandonamos tudo, pela tristeza de ter perdido o melhor. É sabido que conquistarmos uma Amizade, uma relação chega a determinada altura e conseguimos o prazer tão desejado mas, se a nossa postura for a de dar razão apenas ao nosso pensar e "desprezar" o pensar/conselho/ajuda do outro, uma coisa é certa... Perdeu-se porque não quisemos OUVIR e, ficou irrecuperável.
Consequência?
O deixar de ter prazer pela vida, o isolamento, a tristeza, o perder a vontade de realizar o que é rotina diária, o desleixo, alimentar e higiénico, privilegiar o estar dias inteiros na cama sem ligar a mais nada, impaciência, mau humor, deixar um livro de parte, a Televisão, etc...
Pergunto:
É isto que queremos da vida e é isto o nosso Bem-Estar?
Seguramente que não.
Começamos, então, a pensar (tarde) e, vamos trilhar o caminho da razão e reconhecer que, não tivemos força para PARAR e PENSAR antes de AGIR e agora, o mal está feito e só nos resta ADMITIR e agarrarmos, de novo, o caminho para a FELICIDADE sendo que, nos fique gravado o que sucedeu e... não podemos, nem sequer, pensar, que vamos permitir o mesmo erro. Tem de passar a passado, por muito que custe, mas temos de ver o presente, risonho, com mais "este aprender".
Atenção que não estou a dizer que nós portadores da doença, nunca temos razão. Nada disso.
Apenas digo, por experiência própria, que não podemos desperdiçar "o" e "os" que querem o nosso Bem-Estar.
A mim... resta-me recomeçar com o que me sabe bem fazer, para já e uma delas, é esta...
Escrever e partilhar as minhas experiências "negativas", que possam contribuir para um "aclarar" do que não é Bem-Estar, com a vida e com os outros.
Temos de ter força para pensar que, ser BIPOLAR, nos pode enganar e enganar os que connosco convivem. Não é pecado sermos doentes mas, temos de prestar uma maior atenção com a nossa postura e saber dar ouvidos a quem nos conhece. Quando menos esperamos, estamos a atravessar por um momento sintomático da nossa doença e não queremos reconhecer mas, só nós sabemos quando devemos entrar em alerta e PEDIR a fundamental ajuda.
até

04/12/2009

uma frase...


Fazendo parte de uma rotina, motivado pela minha doença (Bipolar), ontem foi dia de consulta de Psicologia no Hospital onde sou assistido pelos meus médicos (Psiquiatra e Psicólogo). Até aqui tudo bem. Como é costume, os serviços de Psiquiatria e Psicologia, abrem, ao contrário de todos os outros serviços naquele hospital, às 9:00 horas, com consulta a começar à mesma hora, sendo que a espera dos utentes é feita no exterior, enquanto que nos outros serviços, abrem às 8:00 horas, sendo que as consultas começam, também, às 9:00 horas mas, permite que os utentes esperem no interior do edíficio onde irão ter as suas consultas. Deixo o termo "até aqui tudo bem" e, "condeno" a postura de quem coordena o serviço de Psiquiatria, pelo facto de "parecer" permitir o estar a criar-se uma "diferença" entre doentes. Mas o hábito acomóda-se e, faça Sol ou Chova, ali estamos. Não estou incomodado com esta situação e, muito menos, com o que possam, quem nos observa, dizer ao ver-nos naquela espera. Não é a primeira vez que testemunho o dizerem "ali é dos maluquinhos". O que condeno, isso sim, é a coordenação deste serviço, na sua dualidade de critério.
As conversas são das mais variadas, a chegada de utentes vai aumentando a fila de espera, a revolta vai-se notando em muitos que, sendo os feitios e até o grau de estado de saúde diferente uns dos outros, gera o ambiente que em nada benefícia quem depende deste serviço. O que deveria ser objecto de alívio, passa a instabilidade mais profunda.
Dedico-me há muito tempo, enquanto espero, discretamente, a ouvir e a presenciar as conversas e as atitudes a que chegam as pessoas. Não posso deixar de ficar triste pela falta de, não só, respeito, mas também e, principalmente, as palavras que oiço que, só demonstram uma total falta de um querer ser um "ser" como qualquer outro embora, com uma doença que, não será por isso, que os tornará diferentes para "sentirem" a beleza da Felicidade".
Normalmente levo um livro para estar a ler ou, faço pequenas caminhadas junto ao edíficio para me manter activo e fazer alguns exercícios de respiração para regenerar a mente.
Sinto-me bem e não alimento conversas que só destroem o que se quer "positivo". Contudo, não posso deixar de relatar uma frase que, com muito pasmo, ouvi quando o segurança veio abrir a porta e alguém lhe perguntou:
"É por sermos 'malucos' que nos abre a porta a esta hora?"
Afinal quem é que faz a imagem de ser diferente de todos os outros?
Se eu podia ter comentado as palavras dessa pessoa?... podia mas, o pensamento negativo da mesma não merece o meu espírito crítico pois, eu próprio, iria proporcionar mais um momento de, desagradável ambiente, que não alimento. Responderia, talvez, "fale por si e não por mim, que não sou". Fiquei pela reflexão, tentando chegar à conclusão do que leva uma pessoa a falar sem pensar no que vai dizer.
Sempre disse: Se nos dedicarmos a nós próprios, uns minutos por dia, seremos o que quisermos e, se é a Felicidade que pretendemos, então, temos de saber, aprendendo, a gostar de nós e do que somos.
O bem mais precioso é o nosso Bem-Estar. É o ter a capacidade de poder dizer "Sou Feliz" e isso, não nos está interdito. ACREDITE, é a nossa palavra de ordem.
até

30/10/2009

afastem-na...

Caros amigos,
Sempre tenho falado em estratégias como "cura" para os tormentos da doença que coexiste connosco, a Bipolar. É certo que todos sabemos que ela não nos dá facilidades, tende ser mais forte e leva-nos a desesperos.
Não tem que ser assim.
Habituados que vamos estando a conviver com ela e sabendo que, dela, só nos libertamos, quando o destino nos levar, resta-nos, então, o tudo por tudo para o alívio. É assim que procuro dar-lhe, apenas, o reconhecimento mas...recuso alimentá-la. Como?
As tais ESTRATÉGIAS que, como têm verificado, pode ser e revelar-se, no prazer do escrever e partilhar com todos. Assim, tenham como exemplo o que recolhi e me deixou divagando, no pensamento, na tentativa, do significado e da intenção.
Título do livro: QUE CAVALOS SÃO AQUELES QUE FAZEM SOMBRA NO MAR
Autor: António Lobo Antunes
Em entrevista concedida a um canal de televisão, recolhi algumas das suas frases que me deixaram na interpretação:
"dois homens quando são homens estão condenados a entenderem-se".
"que sombras somos nós, em que mares vivemos".
"a verdade não existe, o que existe é vontade...que a verdade exista".
"pergunta: como devo amar meus filhos?
Freud responde: faz o que fizeres está mal feito".
É desta forma, entre outras, que me entretenho a trabalhar o pensamento, dando força ao esquecimento, de ser Bipolar.
Não desistam.
até

27/10/2009

não deixem!!!

As dúvidas, as incertezas, a insegurança...a sensação de vazio e não existência. Em consequência...as irritações, a impaciência, o isolamento, a perca de vontade pela vida. O HUMOR na sua plena negatividade.
Tudo o que se junta a tantos outros síntomas de um Bipolar. Tudo que se enfrenta e, cada vez, se torna mais difícil superar. Tudo que se sente...mas não é visível. É o Bipolar que sofre mas, também, os ente queridos, os amigos, os colegas, os conhecidos. Todos, todos sofrem e não tenhamos dúvidas.
Apela-se por força, apela-se por não desistir, apela-se por vontade, afirma-se...tu não és doente. Onde está a razão? A razão está no assumir que se é Bipolar, que se está sujeito a tudo isto e que, só nós Bipolares, sabemos o que não é visível mas existe e se sente. Explicar ... é muito complicado para quem nos ouve mas...
Somos nós, sózinhos, capazes de ter respostas que ajudem a ultrapassar todas estas dificuldades? Claro que não, embora haja excepções. São os médicos, os internamentos, os medicamentos mas... e o tão necessário onde anda?
É, é isso mesmo, a AFECTIVIDADE.
Se para nós doentes, para os médicos, é uma completa incógnita a doença, o seu diagnóstico, o que será, então, para todos quantos convivem connosco? É aí que se apela a que, também e, principalmente, os familiares mais directos, sejam educados sobre a doença e a saber lidar com quem, dela, padece.
É muito exigente o esforço que se pede a todos mas, indispensável. Sózinhos, não chegamos lá... à FELICIDADE.
Compreendam, caros "companheiros" de doença Bipolar, que temos de dar o braço a torcer e admitir que a dedicação à vida é linda mas, para isso e, porque também somos inteligentes, somos nós que temos de dar o pontapé de saída e ajudar, todos os que nos rodeiam, a saber ajudar-nos.
Não há que ter vergonhas. Hoje somos nós que pedimos por nós mas...a experiência dá-nos capacidade para, também, ajudar quem está com dificuldades.
É provado que são muitas as vidas em comunhão que se desfazem. Famílias que desaparecem. Rostos que desistem e escolhem o caminho escuro e eterno (suicídio). A falta de entendimento, a falta de diálogo, a ajuda que ambas as partes necessitam, são as bases necessárias para a continuidade da vida em felicidade, em comunhão e convívio.
SÃO APENAS 5 MINUTOS, NESTAS FASES, QUE TEMOS DE PARAR, PENSAR E, SABER DETECTAR QUE É ELA, A DOENÇA, QUE NOS ESTÁ A AFECTAR E A TIRAR-NOS O QUE NOS É QUERIDO, OS NOSSOS E ... A VIDA.

NÃO DEIXEM!!!
lembrem-se do que sempre falo...ESTRATÉGIAS.

até

08/10/2009

o sorriso... e o sábio

Meus caros,
são pensamentos de vida, como estes, que devemos valorizar, pensando e pondo em prática.
São, apenas, 5 minutos de leitura mas...que podem corresponder a, se os entenderem e aceitarem, muitos anos de vida, com capacidade de enfrentarem o bem e o mal, saboreando um vazio, interior, de pesos desnecessários que... nos impedem de um sorriso como o da foto.



Até breve

01/10/2009

um Dia...

O Outono a cada dia que passa, mais se vai denunciando.
Os dias começam, agora, a evidenviar, no sentir, a mudança de Estação já concretizada.
Tem a sua Beleza e...
O Outono dá-nos "retratos de dias" com as suas cores, os seus aromas, agora, a terra já molhada e a indecisão entre um dia de calor ou de névoas e temperaturas mais amenas e húmidas. A indecisão das roupas a vestir levando-nos á janela para, o observar do tempo.
Quanto a nós, Bipolares e, falando por mim, o sentir a cabeça baralhada e a sensação de excitação, nervoso, em todo o corpo, vontades de fazer qualquer coisa e não se sabe o quê (só pode resumir-se a "asneiras") mas...toca a pensar (negro). Um estado desagradável e que nos/me leva a uma forma de estar algo indisposto logo, ou vou para a cama (isolo-me) ou, começo a ficar neurótico e, o pior, a falta de paciência de falar com quem quer que seja, tornando difícil a relação com as pessoas que, algumas delas, apenas pretendem ajudar mas, que nós achamos... dispensável.
Bom,
Não é nada que eu não esperasse e, assim, só posso agarrar-me ás minhas estratégias de ocupação no sentido de, pouco pensar (negativo) e, muito menos no que vou sentindo fruto da doença.
Começo por abrir a janela da sala, que tem vista para a baía, olhei a sua calmia, o seu cheiro e respirei enchendo bem o peito. Fiz alguns exercícios de relaxe e, agarrei a decisão de vir escrever e partilhar este sentir. Acreditem, não é meu perfil mentir, o meu sentir passou a outro estado e deu-me outras vontades para me ocupar. Irei, concerteza e para já, passear a minha cadelinha, minha fiel e única companheira. Depois...depois logo se verá o que me ocupará, é futuro e não o conheço.
Enquanto passeio a cadelinha, encontro outros motivos de interesse pelo caminho. É o começar do dia e o encontrar as pessoas habituais e não só, outras há mas, é o cumprimentar, o dar 5 minutos de conversa, dos mais variados temas, o ir comprar o pão e o regressar a casa. O fresco do dia deu outro ar ao meu "Eu".
Lembrei-me, hoje é dia de futebol para o meu filho. Mora com a mãe. Telefonei e ao falar com ele e com a mãe, ficou combinado que sou eu, hoje, que o levo ao treino. Não é a primeira vez e sabe-me bem, não só levar o meu filho, como assistir ao treino. São miudos com idades entre os 10 e 13 anos. Já revelam alguns gestos de jogadores, muito apurados. Enfim, outro objectivo a concretizar e que não posso esquecer. Prometi, não posso arranjar motivo para voltar atrás. Entretanto comecei a apurar os sentidos para o almoço. O que irei fazer? Vi as opções e fiz.
Outro compromisso realizado, almoço feito e já deliciado. Seguiu-se um espaço morto e...o pensar. O estado de pensamento já é totalmente diferente. Já se foca nos afazeres normais de um qualquer comum e, assim permaneceu mas...enquanto decorria esse tempo morto, havia que arranjar qualquer coisa. Pois bem, sei que gravei uma série televisiva que adoro ver. Nem mais nem ontem, Sérgio vais ver o Dr. House. Maravilhoso, adoro este "médico".
Agora...meus caros, está quase na hora de ir levar o meu filho ao futebol e ele espera-me, no ATL depois...depois não sei, é futuro e não o conheço mas, o dia...está quase feito.
até breve
Ainda a tempo de aqui escrever mais umas palavras que mais não são as de me congratular por ter levado o meu filho ao futebol, acompanhado pela cadelinha, que me fez andar ora para um lado ora para outro mas, sem que eu perca de vista, o treino do meu filho.
Sentindo um certo cansaço e terminado o treino, deixo o filho na mãe, janto e, porque estou bem, satisfeito por ter conseguido cumprir os objectivos e prestes a descansar para preparar a chegada de um outro dia, termino o de hoje, dizendo, "nunca penses em desistir". Deito-me, coloco os headphones do meu mp3, onde tenho as minhas músicas preferidas e...
até amanhã.