DESISTIR É DAR RAZÃO AO CAMINHO MAIS LONGO PARA A FELICIDADE. (sf)

27/09/2010

o que me falha?

Não sou fã da vida politica, o que não quer dizer que me afaste, totalmente, pois devemos estar a par da actualidade, a cada dia que nasce. Saber qual o rumo do nosso País. Contudo, hoje, não podia deixar de expressar o que me rói a alma, embora aceite, que ser politico e governante, não é fácil, a responsabilidade é pesadíssima, mas foram os próprios que optaram por esta vertente profissional.
Não vou fazer um post de politica, até porque o Blogue tem a ver com a minha doença, o ser Bipolar e o querer partilhá-lha, com os que padecem e com os que, não padecendo, convivem connosco.
Perguntam: Então o que tem este post a ver com a doença Bipolar?
Têm razão...Vamos a vias de facto.
Todos sabemos a crise que assola o nosso País e, por consequência, todos em geral.
Estão a ser feitas muitas tentativas de salvar o País e, para tal, "com palavras bonitas", dizem os governantes, que todos nós temos de participar, fazendo sacrifícios que mais não passam de "uma imposição" e não, um pedido.
Há as que, a muito custo, lá temos de aceitar e ficar calados, não temos outra alternativa, mas há outras que, desculpem se estarei errado, me deixa na dúvida sobre a capacidade moral e mental de quem toma a decisão.
Caros Bipolares,
É aqui que, como disse, me rói o coração. Senão, vejam e ajudem-me no raciocínio.
Em muitos sectores de actividade como, a Segurança Social, a Educação, as Obras Públicas, a Saúde, o Emprego etc, foram objecto de completas mexidas. Não vou dizer quais as mais ou, menos importantes, mas há uma situação que, repito, não sendo político nem defensor de ideais deste ou daquele partido, muito me custa aceitar...
COMO SE PODE TOMAR A DECISÃO (uma delas) QUE É, NO SECTOR DA SAÚDE, A RETIRADA DO MERCADO, DE UMA PARTE DOS MEDICAMENTOS ANTI-DEPRESSIVOS, FUNDAMENTAIS A TODOS QUE SOFREM DE DOENÇAS DO FORO PSIQUICO E REPAREM...MUITAS DELAS, "CRÓNICAS", COMO O SER BIPOLAR, QUE TÊM DE VIVER COM ELES, TODA A SUA VIDA?
Todos sabemos da rejeição e, agora, falando nos Bipolares, aos medicamentos e nas suas consequências, uma delas, a grande percentagem de suicídios.
Será que esta medida mereçe um justo reconhecimento da sanidade, DA MENTE e, competência para o ESTUDO, responsável, de quem a tomou?
Eu pensarei... que seja um "convite" para mais internamentos.
Ajudem-me a raciocinar sobre esta atitude.
Porém, alerto que esta medida não é desculpa para os que tomam, de modo irregular, os medicamentos, não consultarem os seus médicos... sim, porque aqueles que se respeitam e confiam nos médicos, estando sujeitos a tantas experiências para "acertar" naquele que produz o efeito desejado, sabem que outro haverá e se irá ajustar. Clinicamente vai ser penoso, para os médicos e para os doentes. O nosso organismo não reage, da mesma forma, a qualquer medicamento que se diga substituto.
até

7 comentários:

maria disse...

Pensei em ti quando ouvi esta notícia...em ti e em todos aqueles que tinham os medicamentos grátis e que a partir de hoje passam a pagar por eles...

Não concordo contigo quando dizes que ser político não é nada fácil e que a responsabilidade é pesadíssima...

Ser político é o "trabalho" mais fácil que existe, pelo menos neste país sem ponta por onde se lhe pegue e responsabilidade???
Mas há alguém responsável?

Não te fui muito útil, mas enquanto não houver alguém que queira mesmo governar este país e se preocupe realmente com os cidadãos...

Mal de quem precisa...

Beijinho :)

sérgio figueiredo disse...

Concordo com o que dizes e reflecte, um pouco, o meu expressar que "não sou fã da politica". Agora, o que realmente é de estranhar, lamentar e me dói, é que, nem falo no ter de pagar, é o retirarem de comercialização medicamentos Anti-Depressivos. Isso sim não faz sentido, ou fez, na cabeça de quem tomou esta decisão.
Que será feito de quem os tomava?
Uns irão aos seus médicos e tentarão substitutos, mas outros, tenho a certeza que deixam de tomar e acabou. As consequências serão visíveis mais tarde.

bj...nho

Anónimo disse...

Tens toda a razão, Sérgio...
é frustante a situação do nosso país... nomeadamente no campo da saúde e da educação...
mais uma vez assumo o que já te tenho dito: é tão ténue a fronteira que separa os que usufruem de sanidade mental... e aqueles que sofrem de qualquer doença psíquica...
Que sociedade tira o tapete debaixo dos pés dos que a formam e contribuem com seus impostos...?

Beijo para ti...

Alice

Sentidamente disse...

Quanto à polítoca e aos políticos, já desacreditei de ambos. Os políticos fazem a política e fica visível, a falta de dignidade de tantos deles! Quanto aos medicamentos acho que tem toda a razão. Os anti depressivos e os anti psicóticos são medicamentos que pelos efeitos secundários ou rejeição á doença, são muitas vezes descurados por quem deles necessita, levando a crises de depressão ou a descompensação. Retirar do mercado ou honerar o seu custo são concerteza motivos para muitos os não tomarem.
Mas há tantas medidas que em vez de facilitarem as coisas as complicam. Por exemplo: tenho um familiar com problemas psicóticos. Não aceitando tratamento, a família, em fases de crise aguda, implementou idas compulsivas a consulta de urgência o que implica relatório do médico psiquiatra, autorização do Delegado de Saúde e execução pela PSP ou GNR em simultâneo com os bombeiros. É um processo extremamente doloroso para a família que o acciona e para o doente que se sente violentado. Pois o médico nas urgências, “convence” o doente a tomar a medicação e a ir a uma consulta, na extensão local de Saúde Mental. Perante o simples compromisso, o doente regressa a casa, continuando sem tomar qualquer medicamento e sem ir à consulta. Um internamento por alguns dias, com a medicação e acompanhamento psiquiátrico necessários, poderiam fazer toda a diferença mas parece haver a intenção de evitar os internamentos e eu pergunto: Se assim é, porque não, haver um controle posteriormente a esse “acordo”?

Foi um desabafo que necessitei fazer.

Um abraço

sérgio figueiredo disse...

Alice,

Nunca se viu o nosso País ter a reputação que tem actualmente e que, juntamente com a Irlanda, são os dois países a quem cortaram qualquer tipo de crédito.
Mas o mais inacreditável, e indo directo ao assunto, o que me dói na verdade, é o facto de um governante ter moral e coragem para "reprimir" a saúde do seu povo. É estar a brincar com a vida das pessoas, a saúde. Aumentarem os preços...olha, alguma coisa se havia de arranjar, agora, retirar do mercado determinados medicamentos, essa eu nem acredito. Principalmente os do foro Psiquico.

bjnho

sérgio figueiredo disse...

Minha Amiga (Sentidamente),

O desabafar é o melhor medicamento para adquirir o necessário equilibrio mental. Seja de que forma for, ele tem de ser exteriorizado, caso contrário, a percentagem de doentes depressivos, aumentará e muito. O saber está, apenas, no com quem desabafar e na coragem da aceitação e não se inibir de o fazer. Ajuda o doente e a si própria.
As pessoas têm de se convencer que ninguém está livre de ser (oxalá que não) acometido, a qualquer instante, de uma doença e não somos nós que a pedimos. Há uma urgente necessidade de as pessoas pensarem, um pouco, em si próprias e nos que, hoje, já as sofrem.
Parece difícil, mas somos nós que complicamos.
Desabafe...desabafar regenera a mente e não constitui vergonha.
Veja o meu blogue...
Eu não tenho qualquer preconceito em partilhar experiências da minha vida como doente bipolar. Pelo contrário, tento prestar ajuda a quem não se revela, não desabafa.
Acredite, falar e saber ouvir, é o princípio do diálogo, que se quer, saudável.

bjnho

sérgio figueiredo disse...

Cara Amiga (Sentidamente)

Volto, mas agora, mais personalizado e sobre o seu familiar.

É muito frequente, bastante mesmo, a "negação". Doentes que não aceitam a sua doença e, assim sendo, a recusa dos medicamentos. É, como diz e muito bem, uma situação muito penosa para quem lida com o doente e, também, para ele...claro.
Não há outra alternativa que não seja, numa fase de crise aguda, a ida à urgência e o consequente internamento por um leve período de tempo, em geral duas semanas, suficiente para a administração, "de choque", do medicamento. O resultado é positivo e duradouro, sendo, regra geral, tranquilizador e equilibrado.
Costuma ser uma aplicação intravenosa, não dolorosa, e com efeitos que práticamente se poderão chamar de "imediatos".
É evidente que cada caso é um caso e a decisão do que fazer...está, sempre, nas mãos do médico. Só os médicos conhecem, clinicamente, o seu paciente.

Por outro lado, pôe-se a situação de vagas para internamento. É aí, e como referi no post, que eu vejo um total desgoverno.

Vejamos...

Uma coisa é certa...só com uma dedicada "aprendizagem" sobre a doença, se pode atingir a motivação para lidar com ela... E com quem dela padece.

bjnho