DESISTIR É DAR RAZÃO AO CAMINHO MAIS LONGO PARA A FELICIDADE. (sf)

22/09/2009

talvez acreditem e pensem

Este mês, seria um mês como todos os outros. As rotinas, como a caminhada matinal pela beira-mar respirando a maresia bem como, o apreciar o cantar frenético das gaivotas e, os afazeres habituais. Contudo, diz-se e é verdade que nenhum dia é igual a outro, já passado. Estamos em plena fase de mudança de estação, chega o Outono mas, ainda com sabor a Verão. No entanto, nota-se a diferença dos dias. Nesta altura, a noite e o dia com o mesmo equlibrio de tempo mas, as manhãs mais frescas, o vento a fazer-nos sentir os seus efeitos, as tardes com temperaturas de verão e as noites lindas e convidativas a um passeio. Estamos perante um estado climático instável que... e, agora vou falar por mim, faz com que a minha cabeça se sinta alterada, a disposição completamente diferente, a nostalgia em estado crescente, os prazeres das caminhadas passam a sacrifícios, a vontade de escrever desmotivada, a paciência de escutar as pessoas... fatigante e desesperante, o apetite inexistente, as tonturas, a vontade de isolamento, o impulso a saídas e a gastos desnecessários.


Isto é a demonstração do efeito da mudança de Estação e, principalmente, para o Outono, que nas pessoas, com maior incidência, que padecem de doenças neurológicas, neuro psiquiátricas, problemas ósseos, em nós...Bipolares, tem uma maior influência. Dizem os entendidos que a mudança para o Outono, apesar de bonito, é a pior.
Ora, depois de toda a dedicação que dou ao estudo da doença, à colaboração que presto aos meus médicos, fico perante a capacidade de escolher o que quero fazer e para onde tende a força... se para gozar o Bem-Estar se, para me deixar impávido, sentindo todos estes sintomas e ficar numa decadente fase de sofrimento.
Pois é...
Se acreditarem em mim, todos estes sintomas, embora sentidos, não passam de vontades malignas da nossa mente que prevalece se nós quizermos.
Não se trata de "filosofia barata". É pura das realidades e a prova está se, em primeiro lugar assumirem que todos esses sintomas têm um motivo de existência e esse motivo é a mudança de estação. Pois bem, o que fazer? Eu...adopto, há muito tempo, o começar por reconher a sintomatologia. Aceito-a mas, luto, sem muito esforço, por arranjar estratégias que possam contrariar esses efeitos negativos e, quais são essas estratégias? Fazer precisamente, o que perdemos a vontade de fazer. Caminhar nem que seja dar a volta ao quarteirão, não deixar de comer para que o nosso organismo se sinta com força para receber os medicamentos. Não descorar, nunca, a toma dos medicamentos. Ler, nem que seja uma página, meia página, ou um parágrafo. Em casa, fazer exercicíos, moderados, para contrariar as tonturas sendo que, depois se deite um pouco para descanso ou, se as tonturas forem muito evidentes, fazer o contrário, deito-me primeiro e, mesmo deitado, faço exercicios como, respiração, fazer movimentos com os braços e as pernas, rodar a cabeça, deitada na almofada, ora para um lado ora para outro e deixar "cair" todo o peso do meu corpo enquanto deitado sem que nenhuma parte do corpo esteja contraido ou a trabalhar. Fechar os olhos, escutar todo o tipo de barulhos e entreter-me a identificá-los. Procurar fazer um telefonema a um Amigo, a um Familiar e trocar umas breves palavras, que não têm que ser sobre a doença e o que estamos a sentir. Beber muitos líquidos, água, chá, até com um pouco de açucar. Nas despesas... antes de comprar, olhar bem para o que pretende adquirir e pensar se deve mesmo comprar, se lhe faz uma falta imediata, se não será melhor dar uma volta, fazer um esforço e resistir, se não conseguir, o que quer... está lá mas, enquanto pensa e caminha a ver outras lojas, talvez mude de opinião e acabe por ver outra coisa que tenha muito mais proveito na aquisição. Repare que não deixa de executar um gasto mas, consegue mudar o efeito do gasto para um bem mais útil para o momento.
Perguntam, concerteza...Mas será que eu sou capaz de fazer tudo isto? Sou!!!
Pode não ser tudo de uma vez, posso até não resistir a uma das coisas, é faseado, pode durar tempo, consoante me vou sentindo mas... a sensação de alivio... sabe tão bem.
Costumo Gritar...Vitória.
Conseguem reparar, por exemplo, há quanto tempo estou a escrever? a fase por que passei está a aliviar e a capacidade de melhorar é maior. Foi com muita calma e convicção do que estou a escrever que, já tenho motivo para dizer... já passou bastante tempo e estive dedicado a algo que me deu prazer. Agora...vou refrescar-me comendo uma peça de fruta. A seguir...a seguir não sei, é futuro e não advinho o que possa vir.
até breve

4 comentários:

Alice Matos disse...

Sérgio...
Li, com toda a atenção o teu texto. Li... entendi e acreditei em cada palavra. Entendi e reconheci cada um dos sintomas... principalmente o desânimo, a falta de vontade para fazer o que quer que seja... e mesmo assim ser obrigada a desempenhar o que seria suposto realizar sem esforços de maior...Sentir-se só neste "barco"... mesmo que os que nos amam tentem dizer-nos que estão connosco... Aqui fica o meu carinho e o elogio pela tua capacidade de expor os sentimentos... Que nunca te faltem amigos... companheiros de jornada que fiquem ao teu lado... mesmo que em silêncio...

Beijo...

Anónimo disse...

Fiquei sem palavras quando li este texto...
Admiro tua capacidade´...pois é preciso muita coragem e ter amor pela vida...
Gostei de tudo q li...

abraço...

GarçaReal disse...

Ainda bem que conseguiste escrever...Escrever....Afinal suplantaste e vontade de não o fazer, afinal suplantas esta transição tão dificil desta estação que faz a ponte para o Inverno, afinal tens um DOMINIO fantástico sobre a tua doença.
Os momentos de extremos são suplantados pois tua força de vontade é suprema.
Obrigada por partilhares teus momentos, tua vida o que é fantástico , pois estou em crer que a maioria que sofre de igual problema o encerra a sete chaves.

Bem hajas Sérgio

Um bjgrande do Lago com sabor a amizade

Anónimo disse...

.....................................
Ah,que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: «vem por aqui»!
.....................................

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!



Fica bem